Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Querido Senhor Aníbal,


Não é a primeira vez que me exalto contra si. E no entanto de cada vez que o faço é por uma nova razão, mais nobre até do que a anterior.
Ora, é óbvio que uma reforma de mil e poucos euros não é propriamente milionária. 
Mas tendo em conta que o senhor é presidente de um país em que há quem deixe de se medicar para poder sobreviver com uma mísera reforma de 300 e poucos euros (não viver, sobreviver) é um bocadinho, vá lá, abusivo dizer em tom de desabafo que a sua tripla reforma não vai chegar para as suas despesas. 
Não digo que seja mentira. 
Nem tão pouco quero saber. 
Mas sabe, senhor presidente, se quer realmente ajudar quem quer que seja (o que eu seriamente duvido), e já que não o faz, tenha pelo menos a decência de medir as palavras e ter uma atitude séria em vez de se armar em jovem ao estilo Obama e mandar piadas na inauguração da minha faculdade.
Porque vivemos uma altura em que já não há por onde cortar, já não há por onde poupar.
E não, o senhor não tem culpa. 
E mesmo que tivesse não a tinha, como aliás nos tem vindo a habituar ao longo de tantos anos em cargos de poder.
Mas se não faz nada, se quer continuar a inaugurar escolinhas e hospitais e comprar acções ao preço da chuva, faça-nos pelo menos um favor: Não nos goze.

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